Estresse Oxidativo induzido pelo exercício x Suplementação Antioxidante: Usar ou não usar?

Primeiramente o que é esse tal de estresse oxidativo? Os exercícios físicos promovem inúmeros benefícios, preventivos e terapêuticos à saúde, tais como diabetes melito, dislipidemias, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e pulmonares, câncer, depressão, entre outras. Muitas dessas doenças têm ligação comum com inflamações crônicas e produção de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio (ERON), ou seja, radicais livres. O exercício físico intenso causa dano muscular e induz a uma elevação da atividade de enzimas citosólicas no plasma sanguíneo, por exemplo de creatinocinase, aminotransferases e desidrogenase láctica (DHL), produzindo desta forma radicais livres. O desiquilíbrio dessa produção ou distúrbio da homeostase antioxidante, ou seja, desequilíbrio entre a formação e remoção desses radicais livres no organismo, pode exacerbar o estresse oxidativo. Contudo a produção de ERON é um processo vital, sob condições fisiológicas normais, essas espécies deletérias são removidas por nossos sistemas antioxidantes, incluindo vitaminas e enzimas.

Desse modo para que se tenha um bom rendimento no exercício físico, se faz necessário uma prática nutricional ideal. Vários antioxidantes tem sido utilizados para minimizar o estresse oxidativo, provocados pelo exercício físico intenso, como por exemplo, Vit C e E, Glutationa, N-Acetilcisteína, Coenzima Q10, selênio, entre outros. Mas, será que é preciso suplementar? Ou somente seria necessária se os atletas não tivessem uma dieta adequada e rica em antioxidantes, o que é incomum… Muitos estudos tem indicado que suplementos como Vit C e E, diminuem o estresse oxidativo, porém não melhoram o rendimento físico, pelo contrário, prejudicam o desempenho. Em um estudo feito na Escola de Estudos do Movimento Humano, Universidade de Queensland, Brisbane, QLD, Austrália, observa-se o seguinte: “Na verdade, embora ROS (espécies reativas de oxigênio) são associados com eventos biológicos nocivos, eles também são essenciais para o desenvolvimento e função ideal de cada célula. O objetivo desta revisão é apresentar e discutir 23 estudos que demonstraram que a suplementação de antioxidantes interfere com as adaptações induzidas pelo treinamento físico. As principais conclusões destes estudos são que, em certas situações, o carregamento da célula com altas doses de antioxidantes leva a um embotamento dos efeitos positivos do treinamento físico e interfere com importantes processos fisiológicos mediados por ROS, como a vasodilatação e a sinalização da insulina. Mais pesquisas são necessárias para produzir diretrizes baseadas em evidências sobre o uso de suplementos antioxidantes durante o treinamento físico. Recomendamos que uma ingestão adequada de vitaminas e minerais através de uma dieta variada e equilibrada continua a ser a melhor abordagem para manter o status antioxidante ideal no exercício de indivíduos.”

Foi relatado que a suplementação com as vitaminas antioxidantes C e E impede o aumento adaptativo na biogênese mitocondrial e a expressão de GLUT4 induzida pelo exercício de resistência. Reavaliamos os efeitos desses antioxidantes nas respostas adaptativas do músculo esquelético de ratos à natação em um estudo de curta duração consistindo em 9 dias de vitaminas C e E com exercício nos últimos 3 dias e um estudo de longo prazo consistindo de 8 semanas de Vitaminas antioxidantes com exercício durante as últimas 3 semanas. Os ratos nos grupos antioxidantes receberam 750 mg · Kg de peso corporal (-1) · dia (-1) de vitamina C e 150 mg · Kg de peso corporal (-1) · dia (-1) de vitamina E. Em ratos submetidos a eutanásia imediatamente Após o exercício, os TBAR plasmáticos estavam elevados nos ratos de controlo mas não nos ratos suplementados com antioxidantes, proporcionando evidência de um efeito antioxidante. Em ratos eutanizados 18 h após o exercício houve grandes aumentos na responsividade à insulina do transporte de glucose nos músculos epitrocleróticos mediados por um aumento aproximadamente duplamente na expressão de GLUT4 tanto nos grupos de tratamento a curto como a longo prazo. Os níveis de proteína de um número de enzimas marcadoras mitocondriais também aumentaram cerca de duas vezes. As superóxido dismutases (SOD) 1 e 2 foram aumentadas cerca de duas vezes no músculo tríceps após 3 dias de exercício, mas apenas a SOD2 aumentou após 3 semanas de exercício. Não houve diferenças nas magnitudes de nenhuma dessas respostas adaptativas entre os grupos controle e antioxidante. Estes resultados mostram que doses muito grandes de vitaminas antioxidantes não impedem as respostas adaptativas induzidas pelo exercício das mitocôndrias musculares GLUT4.

Práticas baseadas em evidências e não em Modismo ou Achismos 😉

Alini Rios

Sou Biomédica e pós-graduada em Biomedicina Estética. Nascida em Santa Rita do Passa Quatro/SP. O Blog Estética Splendore foi criado em Setembro de 2015, com a finalidade de compartilhar meus conhecimentos no mundo da estética, que vem crescendo a cada dia. Sou geminiana, nascida em 12 de Junho e tenho como adjetivos a criatividade e a curiosidade.
Quero dividir meus conhecimentos e aprender com meus leitores!!

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